Sinto saudades daqueles tempos em que o maior dilema da minha vida era: “Vejo Pokémon na SIC ou Digimon na TVI?” e o meu maior acto de pura rebeldia era ver o Batatoon antes de fazer os trabalhos de casa. A pica que me dava até a minha mãe me apanhar e gritar o primeiro e o segundo nome, do género: Rui Filipe, ou João Diogo! Eu pensava logo ”O que é que eu fiz agora?”, ou “Já fui apanhado!”
Sinto saudades daqueles tempos em que pensava que a única diferença entre os rapazes e as raparigas prendia-se no facto de não fazermos o “XIXI” no mesmo local e do mesmo jeito. Também pensava eu que elas não tinham conversas de questões pertinentes ao contrário dos rapazes, elas só falavam em bonecas “pra qui e bonecas prá colá”. Não tinham aqueles debates com enorme carga filosófica sobre o tema imortal que era: “ o meu pai é melhor que o teu” (passado tanto tempo ainda acho o meu o melhor).
Com os avanços do tempo os rapazes passaram para a frase dos míticos apalpões, (passaram eles, eu não passei), Fase essa que não acompanhei nem participei. Não só com o medo das lapadas que poderia apanhar de uma rapariga de palmo e meio mas também porque não percebia a razão de apalpar um rabo de uma rapariga. Não sabia a relevância ou o prazer que poderia ter, tínhamos o nosso rabo, era bem mais seguro apalpar o nosso, pois não levávamos os calduços.
Então por cada jornada aos apalpões a rapariga mais jeitosa da turma eu apenas ficava a observar e era mais como repórter de guerra pois não interagia em nada.
Só passado alguns anos todos eu é que percebi o porque de tal acto.
obrigado Lili pela edição
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